Como nasceu o Verdade oculta, meu livro de suspense.
A maior curiosidade que as pessoas têm quando digo que escrevi um livro é saber de onde surgiu a ideia da trama. E super entendo, porque quando leio, é a primeira coisa que penso também. A realidade nua e crua é que não faço ideia. Risos.
Brincadeiras à parte, no meu caso, não surgiu de algo específico, mas de uma porção de coisas e vivências. O aumento descabido da preocupação com a aparência, o aumento de procedimentos estéticos para manter a juventude, o avanço assustador da tecnologia, a busca por poder de grandes empresas farmacêuticas. Um belo dia, veio um “click": por que não juntar tudo isso numa história? E assim foi.
A construção dessa narrativa levou tempo. Comecei a escrever durante a pandemia, até como forma de me distrair um pouco. Estava com um filho no 6º ano do fundamental e uma filha no 1º ano do fundamental, ou seja, sendo alfabetizada on-line. Não preciso nem dizer o show de horror que foi. E entre uma aula e outra deles, eu me sentava e escrevia um pouco. A passos bem lentos. Contei com a ajuda da Liciane Correa, que me guiou nesse primeiro esboço.
Dentre as minhas neuras, o grilo falante dentro da nossa cabeça sabe? Achei que estava viajando com a história do livro, perdendo tempo e não conseguia terminar de escrever. Deixei o livro de lado por um bom tempo.
Até que um dia, lá pelo final de 2023, começo de 2024, um post no Instagram me fisgou. Era sobre uma mentoria para escrita de um livro com publicação garantida. Entrei em contato e no dia seguinte tive uma conversa com Felipe Colbert.
O projeto dele era muito interessante, mas inviável para mim. Precisaria me dedicar muito. O objetivo era escrever e publicar o livro em seis meses, o que envolvia dois encontros semanais e metas de escrita apertadas, o que não encaixava na minha rotina naquele momento. Por outro lado, ele tinha uma mentoria mensal onde ensinava a mesma técnica pelo tempo que coubesse na minha rotina, com um encontro ao vivo semanal e sem prazo final. A diferença é que aqui não havia a garantia de publicação ao término do livro. Esse formato encaixava na minha rotina.
E assim, começamos uma parceria muito bacana. Felipe, além de editor, é autor de livros de suspense, exatamente o gênero que eu estava escrevendo. Como ele mesmo disse, isso foi bom e ruim, pois o nível de exigência dele era altíssimo. Depois de um ano de muito aprendizado, escritas e reescritas, o livro ficou pronto. Ainda faltava revisar, checar pontas soltas, arrumar detalhes, mas ele estava pronto. Com começo, meio e fim. Já era fim de ano, as férias estavam chegando e eu estava um tanto saturada da história e das personagens. Fiz uma primeira revisão e deixei minha mente descansar um pouco, assim como a história.
Um belo dia, a Fabiane Guimarães, autora de que sou fã, abriu uma vaga para leitura crítica de originais e me inscrevi. Ter o olhar de uma outra pessoa que nada sabia da história foi bem importante. Sendo ela então, fiquei radiante. Conversamos bastante. Ela apontou pontos relevantes a serem aprimorados como o aprofundamento de alguns personagens. Juntei com o que faltava revisar e comecei, mais uma vez, a rever, corrigir, mudar e melhorar a história. Mas confesso que a passos lentos.
Paralelo à mentoria com o Felipe, entrei numa comunidade de escrita para mulheres da Escola de Escritoras, onde permaneço até hoje. Um lugar acolhedor, de muita troca, aprendizado, práticas e amizades. A Débora Porto, diretora da escola, tem uma editora, a Editora Polifonia.
Um belo dia, recebi um e-mail da editora abrindo chamado para originais e que os originais enviados até o final de abril e que fossem aprovados seriam lançados na Flip. Meu coração disparou. Já tinha decidido que iria a Flip. A pousada já estava paga, inclusive. Imagina se dá certo e lanço o livro lá? Corri para terminar a revisão. Submeti o livro para a editora no último dia de abril, no final da noite.
A semana seguinte foi de bastante ansiedade. No dia em que recebi o e-mail com a aprovação do livro, fiquei em êxtase e depois me cobrei horrores porque o livro precisaria de revisão gramatical, já achando que por isso meu livro era ruim. Enfim, isso é assunto para outra newsletter.
O processo todo de revisão, produção de capa, aprovação final foi muito bacana. A Patrícia Aragão, editora responsável pelo meu livro, é muito competente e ponta-firme. Passamos por todas essas etapas sem maiores dificuldades.
Um final de semana antes da Flip, surgiu a possibilidade de participar de um outro evento para divulgar o livro, e a Editora se comprometeu a entregar aqui em casa as minhas cópias para que eu pudesse estar presente. Fiquei apreensiva, pois o prazo era apertado, mas a Débora, sempre muito calma, me tranquilizou. E não só deu tempo, como os livros chegaram uma semana antes do prazo.
Fiquei extasiada ao ter o livro em minhas mãos. E, ao mesmo tempo, senti um pânico. A partir daquele momento em que o livro estava indo para o mundo, ele deixaria de ser “só meu”. Teriam pessoas lendo, gostando, odiando, indiferentes. E era isso que eu queria, certo?
Fiz o lançamento no evento do clube que foi bem bacana. Tive a oportunidade de conhecer outros escritores incríveis. Agora, o lançamento na Flip foi sensacional. Escrevi sobre isso em detalhes nessa newsletter Minha estreia na Flip.
O trabalho com um livro não termina depois de ele ser lançado. Nesse momento, começa o trabalho de venda, distribuição, divulgação, releitura (sim, erros aparecem depois do livro impresso). E é um trabalho de formiguinha. Para mim, mais difícil do que criar e escrever a narrativa em si.
Por outro lado, a parte bacana é começar a receber os primeiros feedbacks e ver o livro ganhando o mundo. Afinal, os “filhos” criamos para o mundo, não é mesmo?
Um beijo e até a próxima.
Sinopse do livro Verdade oculta:
Prepare-se para uma trama cheia de suspense e reviravoltas ao lado de Eva. Em meio ao luto e a um casamento em crise, ela se vê no centro de um projeto revolucionário: um chip da beleza com potencial para mudar o mundo. Mas a verdade por trás dessa inovação é muito mais sombria do que ela poderia imaginar, revelando segredos que desafiam os limites da vaidade e da própria existência.
Link para adquirir o livro:




Adorei conhecer seu processo de escrita e publicação, Dani! Que jornada, ne? Também passei por sentimentos super parecidos com o Clay. Essa sensação de “lascou, agora todo mundo vai ver” hahahaha.
Seu livro me lembra a vibe de A Substância. Ele já está na minha lista para ler no próximo ano ♥️♥️
Eu adoro saber dos processos de escrita e publicação. O Verdade oculta é demais e você sabe o quanto eu admiro sua escrita e sua criatividade.